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Formação de professores em tecnologia: do curso à prática em sala

A maioria dos professores aprende tecnologia por conta própria. O desafio das redes é transformar essa iniciativa em formação contínua, prática e conectada ao currículo.

Por Equipe Midnal
Formação docente em tecnologia que chega à sala. Veja como transformar cursos em prática contínua e acompanhada
Resposta rápida · leitura de 6 min

A formação de professores para o uso pedagógico da tecnologia funciona quando é contínua, parte de problemas reais da sala de aula e inclui prática acompanhada. Hoje muitos docentes aprendem sozinhos; o papel da rede é transformar essa iniciativa em um percurso estruturado, com tempo, apoio pedagógico e troca entre pares.

Plataformas, jogos, vídeos e ferramentas de inteligência artificial chegam às escolas em ritmo acelerado. A formação dos professores para usá-los com intenção pedagógica nem sempre acompanha esse ritmo. O resultado é conhecido: equipamentos subutilizados, usos que repetem a aula expositiva em outra tela e docentes sobrecarregados tentando aprender tudo sozinhos.

A boa notícia é que há disposição para aprender. Os dados mostram professores que buscam vídeos, tutoriais e colegas para entender novas ferramentas. O que falta, em muitas redes, é transformar essa iniciativa individual em percurso formativo, com tempo, acompanhamento e ligação direta com o currículo.

O retrato da formação hoje

A pesquisa TIC Educação 2024, do Cetic.br, ouviu professores de escolas de Ensino Fundamental e Médio. Pouco mais da metade, 54%, participou de alguma formação continuada sobre o uso de tecnologias digitais em atividades de ensino nos 12 meses anteriores. Ao mesmo tempo, a aprendizagem autônoma e entre pares aparece como o caminho mais comum.

Infográfico: como os professores aprendem a usar tecnologias digitais
Sozinhos92%
Com vídeos ou tutoriais on-line91%
Com outros professores81%
Em cursos do governo ou de outras organizações66%
Com formadores da secretaria de educação43%
Fonte: Cetic.br, TIC Educação 2024 (meios de autoformação ou formação em serviço; professores de escolas de Ensino Fundamental e Médio)

A formação inicial também deixa lacunas. Segundo a mesma pesquisa, 66% dos professores realizaram ao menos uma atividade sobre o uso de tecnologias digitais no ensino durante a graduação, mas apenas 44% fizeram uma disciplina ou curso específico sobre o uso de computador e internet para ensinar.

O retrato revela um paradoxo. Os professores aprendem, mas aprendem sobretudo por conta própria, com vídeos e colegas, e menos com formadores da própria rede. A iniciativa individual é valiosa, mas tem limites: depende do tempo livre de cada um, nem sempre se conecta ao currículo e raramente vem acompanhada de retorno sobre a prática.

As barreiras que a formação precisa enfrentar

Quando perguntados sobre o que dificulta o uso de tecnologias nas aulas, os professores citam infraestrutura, mas também a falta de formação. E quem participou de formação continuada tende a avaliá-la de forma positiva, o que indica que investir nela vale a pena.

Infográfico: formação continuada em números
54%dos professores fizeram formação continuada sobre tecnologias digitais nos últimos 12 mesesFonte: Cetic.br, TIC Educação 2024
41%dizem que a ausência de formação continuada dificulta muito o uso de tecnologias nas aulasFonte: Cetic.br, TIC Educação 2024
76%dos que fizeram formação afirmam que ela contribuiu muito para adotar novas metodologiasFonte: Cetic.br, TIC Educação 2024

Outra barreira é o apoio no dia a dia. Para 20% dos professores, a falta de apoio pedagógico dificulta muito o uso de tecnologias nas aulas, e outros 31% dizem que dificulta um pouco. Formação sem acompanhamento depois do curso tende a se perder na rotina.

O que a legislação e os referenciais pedem

A Lei 14.533/2023, que instituiu a Política Nacional de Educação Digital, inclui entre as estratégias do eixo Educação Digital Escolar a formação inicial de professores em competências digitais, independentemente da área de formação, e a promoção de tecnologias digitais como ferramenta e conteúdo dos cursos de formação continuada de gestores e profissionais da educação. A mesma lei prevê ferramentas de autodiagnóstico de competências digitais para profissionais da educação.

A Resolução CNE/CEB nº 1/2022, que trata da Computação na Educação Básica, também orienta que a formação inicial e continuada de professores considere suas normas. Em 2024, o MEC publicou o Referencial de Saberes Digitais Docentes, acompanhado de um autodiagnóstico disponível na plataforma AVAMEC, que pode servir de ponto de partida para planejar percursos formativos.

Princípios de uma formação que chega à sala

  • Contínua: encontros regulares ao longo do ano, e não um evento isolado no início do semestre.
  • Situada: parte de problemas reais das turmas, como alfabetização, recomposição ou engajamento.
  • Prática: o professor experimenta a ferramenta como estudante antes de usá-la com a turma.
  • Colaborativa: aproveita a troca entre pares, que já é o caminho mais usado pelos docentes.
  • Ligada ao currículo: cada atividade formativa conecta a tecnologia a habilidades da BNCC ou do currículo da rede.
  • Com tempo garantido: a formação precisa caber na jornada de trabalho e, quando possível, ser reconhecida na carreira.

Um percurso em quatro momentos

Infográfico: exemplo de percurso de formação ao longo de um semestre
  1. DiagnósticoAutodiagnóstico de saberes digitais e levantamento dos desafios de cada turma.
  2. Oficinas práticasExperiência com as ferramentas na posição de estudante e planejamento de uma aula.
  3. Prática acompanhadaAplicação com a turma, com apoio da coordenação ou de um formador.
  4. Partilha e ajusteTroca de experiências, análise de resultados dos estudantes e novo ciclo.

Como saber se a formação funcionou

Lista de presença e avaliação de satisfação são o começo, não o fim. Para saber se a formação chegou à sala de aula, acompanhe evidências em três camadas: o que os professores passaram a planejar, com aulas e atividades que incorporam a tecnologia com objetivo claro; o que passaram a fazer, observado pela coordenação; e o que mudou para os estudantes, em participação e em resultados de aprendizagem por habilidade.

Plataformas educacionais ajudam nesse acompanhamento ao registrar uso e desempenho, mas a leitura desses dados precisa ser feita junto com os professores, como parte da própria formação.

Próximos passos

Comece pelo diagnóstico: entenda o que os professores já sabem, o que querem aprender e quais problemas das turmas a tecnologia pode ajudar a resolver. A Midnal atua desde 2013 com tecnologia e educação, incluindo EAD, ambientes virtuais de aprendizagem, plataformas gamificadas e streaming educacional. Para conhecer como essas frentes podem apoiar a formação na sua rede, acesse Educação e gamificação.

Perguntas frequentes

Quantos professores fizeram formação em tecnologia recentemente?

Segundo a TIC Educação 2024, do Cetic.br, 54% dos professores de escolas de Ensino Fundamental e Médio participaram de formação continuada sobre o uso de tecnologias digitais em atividades de ensino nos 12 meses anteriores à pesquisa.

Formação on-line funciona para professores?

Pode funcionar, especialmente quando combina estudo autônomo com mediação e prática acompanhada na escola. O ideal é que cursos autoinstrucionais venham acompanhados de aplicação com a turma e de retorno de um formador ou de um colega.

Existe um referencial oficial de competências digitais docentes?

Sim. Em 2024, o MEC publicou o Referencial de Saberes Digitais Docentes, com um autodiagnóstico disponível na plataforma AVAMEC. A Lei 14.533/2023 também prevê ferramentas de autodiagnóstico para profissionais da educação.

Como envolver professores resistentes à tecnologia?

Partir de problemas que eles já reconhecem nas turmas, mostrar exemplos de colegas da própria rede e garantir apoio durante a primeira aplicação reduz a insegurança e aumenta a adesão.

Fontes consultadas

  1. Cetic.br, TIC Educação 2024, indicador H1 (meios de autoformação ou formação em serviço)
  2. Cetic.br, TIC Educação 2024, indicador H2 (atividades na graduação)
  3. Cetic.br, TIC Educação 2024, indicador H3 (formação continuada nos últimos 12 meses)
  4. Cetic.br, TIC Educação 2024, indicador H9 (contribuição da formação continuada)
  5. Cetic.br, TIC Educação 2024, indicador I9_1 (barreiras para o uso das TIC)
  6. Lei 14.533/2023, Política Nacional de Educação Digital (Planalto)
  7. Resolução CNE/CEB nº 1, de 4 de outubro de 2022 (Computação na Educação Básica)
  8. Will, Espíndola e Cerny, O Referencial e o Autodiagnóstico de Saberes Digitais Docentes do Brasil, Revista Educação e Políticas em Debate, 2026
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