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Recomposição da aprendizagem com tecnologia: estratégias que funcionam

O Saeb 2025 trouxe avanços, mas a distância até as metas continua grande. Diagnóstico preciso, agrupamento por nível e tutoria frequente são o caminho com mais evidência.

Por Equipe Midnal
Recompor a aprendizagem: o que funciona. Veja as estratégias com mais evidência e onde a tecnologia ajuda
Resposta rápida · leitura de 7 min

Recompor aprendizagens exige saber com precisão o que cada estudante ainda não domina e agir sobre isso com frequência. As estratégias com melhor evidência combinam diagnóstico, agrupamento por nível, tutoria regular e monitoramento; a tecnologia ajuda a escalar o diagnóstico, personalizar a prática e acompanhar o progresso.

Depois de anos de perdas associadas à pandemia, as redes de ensino brasileiras entraram em um ciclo de recomposição: recuperar aprendizagens que deveriam ter sido consolidadas e, ao mesmo tempo, seguir com o currículo do ano. A tarefa é grande, e a tentação de buscar uma solução única também.

Os dados mais recentes trazem boas notícias e um alerta. Houve avanço em todas as etapas, mas a distância até as metas continua significativa. Entender onde estão os ganhos e onde estão os gargalos é o primeiro passo para escolher estratégias que funcionem.

O que os dados mais recentes mostram

Os resultados do Saeb 2025, divulgados pelo MEC e pelo Inep em agosto de 2026, mostraram o Ideb nos maiores valores da série histórica iniciada em 2005: 6,3 nos anos iniciais, 5,3 nos anos finais e 4,5 no ensino médio, considerando redes públicas e privadas. Na rede pública, as proficiências subiram em todas as etapas avaliadas.

Etapa e componente (rede pública)Saeb 2023Saeb 2025
5º ano, Língua Portuguesa207,6215,1
5º ano, Matemática218,3227,4
9º ano, Língua Portuguesa252,9256,6
9º ano, Matemática249,9255,3
3ª série do ensino médio, Língua Portuguesa269,1272,3
3ª série do ensino médio, Matemática263,9268,0

Os maiores saltos ocorreram nos anos iniciais. No ensino médio, a melhora foi mais discreta. Na alfabetização, o Indicador Criança Alfabetizada, que mede o percentual de estudantes do 2º ano que atingem o padrão nacional de 743 pontos na escala do Saeb, também avançou e superou a meta de 64% prevista para 2025. A meta nacional, porém, é chegar a 80% em 2030.

Infográfico: crianças alfabetizadas ao fim do 2º ano no Brasil
202356%
202459,2%
202566%
Meta para 203080%
Fonte: Inep/MEC, Indicador Criança Alfabetizada, divulgado em 2025 e 2026

A recomposição tem respaldo em política nacional. O Decreto 11.556/2023, que instituiu o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, inclui entre seus objetivos promover medidas para a recomposição das aprendizagens, com foco na alfabetização.

Diagnosticar com precisão

Não há recomposição sem saber o que recompor. Médias de turma escondem realidades muito diferentes: na mesma sala, há estudantes prontos para o conteúdo do ano e outros que ainda não consolidaram habilidades de anos anteriores. O diagnóstico precisa ser por habilidade e por estudante.

Avaliações curtas, aplicadas no início do ciclo e repetidas em intervalos regulares, funcionam melhor do que uma prova longa e anual. A tecnologia ajuda em três pontos: correção automática, relatórios por habilidade e histórico que mostra a evolução de cada estudante ao longo do tempo.

Ensinar no nível certo

Uma das abordagens mais estudadas no mundo é a Teaching at the Right Level, desenvolvida pela organização indiana Pratham. Os estudantes passam por uma avaliação simples e são agrupados pelo nível de aprendizagem, e não pela idade ou pelo ano escolar, com atividades que partem do que cada grupo já sabe. Seis avaliações randomizadas em sete estados da Índia, conduzidas por pesquisadores ligados ao J-PAL, mostraram que a abordagem é consistentemente eficaz.

Há um detalhe importante nesses estudos: treinar professores ou entregar materiais, isoladamente, não melhorou os resultados. Os ganhos apareceram quando havia metas claras, uso de dados de aprendizagem e acompanhamento pedagógico contínuo. Vale o mesmo para a tecnologia: a plataforma sozinha não recompõe aprendizagens, mas pode sustentar cada uma dessas condições.

Tutoria e prática frequente

A tutoria é outra estratégia com evidência robusta. Uma meta-análise de 89 experimentos randomizados, publicada por Andre Nickow, Philip Oreopoulos e Vincent Quan, encontrou efeito médio positivo sobre a aprendizagem, maior quando os tutores eram professores ou profissionais de apoio, quando os programas aconteciam nos anos iniciais, durante o horário escolar e com pelo menos três encontros por semana.

Infográfico: o que a evidência sobre tutoria indica
89experimentos randomizados analisados na meta-análiseFonte: Nickow, Oreopoulos e Quan, 2024
0,29 DPefeito médio da tutoria sobre a aprendizagemFonte: Nickow, Oreopoulos e Quan, 2024
3 ou maisencontros por semana nos programas com maiores efeitosFonte: Nickow, Oreopoulos e Quan, 2024

Para uma rede pública, a frequência é o maior desafio. A tecnologia entra para manter a prática viva entre os encontros: exercícios ajustados ao nível do estudante, feedback imediato e registros que o tutor consulta antes da sessão seguinte. Plataformas gamificadas ajudam a sustentar essa rotina, desde que as atividades estejam ligadas às habilidades priorizadas no diagnóstico.

Onde a tecnologia entra, e onde não entra

A tecnologia é forte em escala, velocidade e registro. Ela aplica e corrige diagnósticos para milhares de estudantes, oferece prática individualizada e mostra ao gestor quais escolas e turmas precisam de apoio. Ela é fraca quando tenta substituir a relação entre professor e estudante, a explicação ajustada no momento certo ou o acompanhamento de quem está desmotivado.

Um plano de recomposição em cinco etapas

Infográfico: etapas de um plano de recomposição da aprendizagem
  1. DiagnosticarAplicar avaliação curta por habilidade, no início do ciclo.
  2. PriorizarEscolher poucas habilidades essenciais para destravar o avanço.
  3. AgruparOrganizar estudantes por nível de aprendizagem em momentos definidos.
  4. IntervirCombinar aulas no nível certo, tutoria e prática frequente na plataforma.
  5. MonitorarReavaliar em ciclos curtos e reorganizar grupos conforme o progresso.

Para redes municipais, há ainda uma questão operacional: contratar soluções com agilidade e segurança jurídica. A adesão a atas de registro de preços vigentes, prevista na Lei 14.133/2021, é um dos caminhos possíveis; veja as atas de registro de preços disponíveis.

Próximos passos

Recomposição é trabalho de rotina: diagnóstico, prioridade, prática e reavaliação, repetidos ao longo do ano. A Midnal atua em tecnologia e educação desde 2013, com EAD, ambientes virtuais de aprendizagem, plataformas gamificadas e streaming educacional, e revende a plataforma Educar Games, com jogo 3D alinhado à BNCC e ao SAEB, portal de gestão e avaliações. Para conhecer as frentes que podem apoiar a sua rede, acesse Educação e gamificação.

Perguntas frequentes

O que é recomposição da aprendizagem?

É o conjunto de ações para que estudantes recuperem aprendizagens que deveriam ter consolidado em anos anteriores, com foco nas habilidades essenciais para seguir avançando. O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada inclui essa recomposição entre seus objetivos, com foco na alfabetização.

A tecnologia substitui a tutoria?

Não. As evidências mais fortes vêm de tutoria feita por professores ou profissionais de apoio, com frequência alta. A tecnologia amplia a prática, o diagnóstico e o acompanhamento entre os encontros.

Os resultados do Saeb 2025 mostram que a recuperação terminou?

Não. Houve avanço em todas as etapas, mas o ensino médio avançou pouco e a meta de 80% de crianças alfabetizadas em 2030 ainda está distante dos 66% registrados em 2025.

O que significa ensinar no nível certo?

É agrupar estudantes pelo que já sabem, e não pela idade ou pelo ano escolar, durante parte do tempo de aula, com atividades que partem desse ponto e reavaliações frequentes para reorganizar os grupos.

Fontes consultadas

  1. Agência Gov, Ideb avança em todas as etapas da educação básica (Saeb e Ideb 2025), 2026
  2. PublishNews, Índice de crianças alfabetizadas fica abaixo da meta no Brasil em 2024 (dados Inep), 2025
  3. Jornal de Brasília, MEC divulga que Brasil chegou a 66% de crianças alfabetizadas em 2025, 2026
  4. Decreto 11.556/2023, Compromisso Nacional Criança Alfabetizada
  5. J-PAL, Teaching at the Right Level to improve learning
  6. Nickow, Oreopoulos e Quan, The Promise of Tutoring for PreK-12 Learning, 2024
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