Recompor aprendizagens exige saber com precisão o que cada estudante ainda não domina e agir sobre isso com frequência. As estratégias com melhor evidência combinam diagnóstico, agrupamento por nível, tutoria regular e monitoramento; a tecnologia ajuda a escalar o diagnóstico, personalizar a prática e acompanhar o progresso.
Depois de anos de perdas associadas à pandemia, as redes de ensino brasileiras entraram em um ciclo de recomposição: recuperar aprendizagens que deveriam ter sido consolidadas e, ao mesmo tempo, seguir com o currículo do ano. A tarefa é grande, e a tentação de buscar uma solução única também.
Os dados mais recentes trazem boas notícias e um alerta. Houve avanço em todas as etapas, mas a distância até as metas continua significativa. Entender onde estão os ganhos e onde estão os gargalos é o primeiro passo para escolher estratégias que funcionem.
O que os dados mais recentes mostram
Os resultados do Saeb 2025, divulgados pelo MEC e pelo Inep em agosto de 2026, mostraram o Ideb nos maiores valores da série histórica iniciada em 2005: 6,3 nos anos iniciais, 5,3 nos anos finais e 4,5 no ensino médio, considerando redes públicas e privadas. Na rede pública, as proficiências subiram em todas as etapas avaliadas.
| Etapa e componente (rede pública) | Saeb 2023 | Saeb 2025 |
|---|---|---|
| 5º ano, Língua Portuguesa | 207,6 | 215,1 |
| 5º ano, Matemática | 218,3 | 227,4 |
| 9º ano, Língua Portuguesa | 252,9 | 256,6 |
| 9º ano, Matemática | 249,9 | 255,3 |
| 3ª série do ensino médio, Língua Portuguesa | 269,1 | 272,3 |
| 3ª série do ensino médio, Matemática | 263,9 | 268,0 |
Os maiores saltos ocorreram nos anos iniciais. No ensino médio, a melhora foi mais discreta. Na alfabetização, o Indicador Criança Alfabetizada, que mede o percentual de estudantes do 2º ano que atingem o padrão nacional de 743 pontos na escala do Saeb, também avançou e superou a meta de 64% prevista para 2025. A meta nacional, porém, é chegar a 80% em 2030.
A recomposição tem respaldo em política nacional. O Decreto 11.556/2023, que instituiu o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, inclui entre seus objetivos promover medidas para a recomposição das aprendizagens, com foco na alfabetização.
Diagnosticar com precisão
Não há recomposição sem saber o que recompor. Médias de turma escondem realidades muito diferentes: na mesma sala, há estudantes prontos para o conteúdo do ano e outros que ainda não consolidaram habilidades de anos anteriores. O diagnóstico precisa ser por habilidade e por estudante.
Avaliações curtas, aplicadas no início do ciclo e repetidas em intervalos regulares, funcionam melhor do que uma prova longa e anual. A tecnologia ajuda em três pontos: correção automática, relatórios por habilidade e histórico que mostra a evolução de cada estudante ao longo do tempo.
Ensinar no nível certo
Uma das abordagens mais estudadas no mundo é a Teaching at the Right Level, desenvolvida pela organização indiana Pratham. Os estudantes passam por uma avaliação simples e são agrupados pelo nível de aprendizagem, e não pela idade ou pelo ano escolar, com atividades que partem do que cada grupo já sabe. Seis avaliações randomizadas em sete estados da Índia, conduzidas por pesquisadores ligados ao J-PAL, mostraram que a abordagem é consistentemente eficaz.
Há um detalhe importante nesses estudos: treinar professores ou entregar materiais, isoladamente, não melhorou os resultados. Os ganhos apareceram quando havia metas claras, uso de dados de aprendizagem e acompanhamento pedagógico contínuo. Vale o mesmo para a tecnologia: a plataforma sozinha não recompõe aprendizagens, mas pode sustentar cada uma dessas condições.
Tutoria e prática frequente
A tutoria é outra estratégia com evidência robusta. Uma meta-análise de 89 experimentos randomizados, publicada por Andre Nickow, Philip Oreopoulos e Vincent Quan, encontrou efeito médio positivo sobre a aprendizagem, maior quando os tutores eram professores ou profissionais de apoio, quando os programas aconteciam nos anos iniciais, durante o horário escolar e com pelo menos três encontros por semana.
Para uma rede pública, a frequência é o maior desafio. A tecnologia entra para manter a prática viva entre os encontros: exercícios ajustados ao nível do estudante, feedback imediato e registros que o tutor consulta antes da sessão seguinte. Plataformas gamificadas ajudam a sustentar essa rotina, desde que as atividades estejam ligadas às habilidades priorizadas no diagnóstico.
Onde a tecnologia entra, e onde não entra
A tecnologia é forte em escala, velocidade e registro. Ela aplica e corrige diagnósticos para milhares de estudantes, oferece prática individualizada e mostra ao gestor quais escolas e turmas precisam de apoio. Ela é fraca quando tenta substituir a relação entre professor e estudante, a explicação ajustada no momento certo ou o acompanhamento de quem está desmotivado.
Um plano de recomposição em cinco etapas
- DiagnosticarAplicar avaliação curta por habilidade, no início do ciclo.
- PriorizarEscolher poucas habilidades essenciais para destravar o avanço.
- AgruparOrganizar estudantes por nível de aprendizagem em momentos definidos.
- IntervirCombinar aulas no nível certo, tutoria e prática frequente na plataforma.
- MonitorarReavaliar em ciclos curtos e reorganizar grupos conforme o progresso.
Para redes municipais, há ainda uma questão operacional: contratar soluções com agilidade e segurança jurídica. A adesão a atas de registro de preços vigentes, prevista na Lei 14.133/2021, é um dos caminhos possíveis; veja as atas de registro de preços disponíveis.
Próximos passos
Recomposição é trabalho de rotina: diagnóstico, prioridade, prática e reavaliação, repetidos ao longo do ano. A Midnal atua em tecnologia e educação desde 2013, com EAD, ambientes virtuais de aprendizagem, plataformas gamificadas e streaming educacional, e revende a plataforma Educar Games, com jogo 3D alinhado à BNCC e ao SAEB, portal de gestão e avaliações. Para conhecer as frentes que podem apoiar a sua rede, acesse Educação e gamificação.
Perguntas frequentes
O que é recomposição da aprendizagem?
É o conjunto de ações para que estudantes recuperem aprendizagens que deveriam ter consolidado em anos anteriores, com foco nas habilidades essenciais para seguir avançando. O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada inclui essa recomposição entre seus objetivos, com foco na alfabetização.
A tecnologia substitui a tutoria?
Não. As evidências mais fortes vêm de tutoria feita por professores ou profissionais de apoio, com frequência alta. A tecnologia amplia a prática, o diagnóstico e o acompanhamento entre os encontros.
Os resultados do Saeb 2025 mostram que a recuperação terminou?
Não. Houve avanço em todas as etapas, mas o ensino médio avançou pouco e a meta de 80% de crianças alfabetizadas em 2030 ainda está distante dos 66% registrados em 2025.
O que significa ensinar no nível certo?
É agrupar estudantes pelo que já sabem, e não pela idade ou pelo ano escolar, durante parte do tempo de aula, com atividades que partem desse ponto e reavaliações frequentes para reorganizar os grupos.
Fontes consultadas
- Agência Gov, Ideb avança em todas as etapas da educação básica (Saeb e Ideb 2025), 2026
- PublishNews, Índice de crianças alfabetizadas fica abaixo da meta no Brasil em 2024 (dados Inep), 2025
- Jornal de Brasília, MEC divulga que Brasil chegou a 66% de crianças alfabetizadas em 2025, 2026
- Decreto 11.556/2023, Compromisso Nacional Criança Alfabetizada
- J-PAL, Teaching at the Right Level to improve learning
- Nickow, Oreopoulos e Quan, The Promise of Tutoring for PreK-12 Learning, 2024





