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Sites públicos acessíveis: eMAG, WCAG e Libras na prática

A lei exige, o cidadão precisa e a maior parte dos portais ainda falha. Veja o que dizem a LBI, o eMAG e a WCAG 2.2, os erros mais frequentes e como incluir Libras.

Por Equipe Midnal
Site público acessível: eMAG, WCAG e Libras. Saiba corrigir os erros mais comuns e incluir Libras no portal
Resposta rápida · leitura de 8 min

Sites de órgãos públicos devem ser acessíveis por força do art. 63 da Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015), seguindo diretrizes internacionais como a WCAG e, no governo federal, o eMAG. Na prática, isso significa corrigir contraste, textos alternativos, rótulos de formulário e navegação por teclado, testar com leitores de tela e oferecer conteúdo em Libras, com tradução automática e intérprete humano nos conteúdos estratégicos.

Um site público acessível permite que qualquer pessoa encontre informação e use serviços com autonomia: quem é cego e navega com leitor de tela, quem tem baixa visão, quem usa apenas o teclado, quem é surdo e se comunica em Libras, quem tem dificuldade de leitura. Também beneficia idosos, quem usa o celular sob sol forte e quem tem conexão lenta. Acessibilidade não é um recurso extra. É condição para que o serviço digital seja, de fato, público.

O público é grande. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência. Ainda assim, a maior parte da web continua cheia de barreiras, inclusive nos portais de governo.

Infográfico: o tamanho do desafio da acessibilidade digital
14,4 mipessoas com deficiência no Brasil, 7,3% da população de 2 anos ou maisFonte: IBGE, Censo 2022 (divulgação de 2025)
88%dos órgãos federais avaliados pelo TCU tiveram nota de acessibilidade abaixo de 5, numa escala de 0 a 10Fonte: TCU, Acórdão 2.099/2025
95,9%das páginas iniciais do 1 milhão de sites mais acessados têm falhas WCAG detectáveisFonte: WebAIM Million, 2026

O que a lei exige

A base é a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015), em vigor desde janeiro de 2016. O art. 63 torna obrigatória a acessibilidade nos sites mantidos por empresas com sede ou representação comercial no país e por órgãos de governo, conforme as melhores práticas e diretrizes adotadas internacionalmente, e exige símbolo de acessibilidade em destaque. A lei define comunicação de forma ampla, incluindo a Libras, a visualização de textos, os caracteres ampliados e a linguagem simples (art. 3º, V).

Para a administração pública, a obrigação é ainda mais antiga. O Decreto 5.296/2004 (art. 47) já determinava a acessibilidade dos portais e sítios eletrônicos públicos. A Lei 10.436/2002 reconheceu a Libras como meio legal de comunicação e expressão e atribuiu ao poder público o dever de apoiar seu uso e difusão. A Lei do Governo Digital (Lei 14.129/2021) incluiu a acessibilidade entre seus princípios.

Infográfico: marcos da acessibilidade digital no Brasil
  1. Libras reconhecidaLei 10.436 reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão.
  2. Portais públicos acessíveisDecreto 5.296, art. 47, torna obrigatória a acessibilidade dos sites da administração pública.
  3. eMAG institucionalizadoPortaria nº 3 torna obrigatória a observância do eMAG nos sítios e portais do SISP.
  4. eMAG 3.1Versão vigente do modelo, com 45 recomendações em seis seções.
  5. Lei Brasileira de InclusãoO art. 63 alcança sites de empresas e de órgãos de governo.
  6. WCAG 2.2O W3C publica a nova versão, com nove critérios de sucesso adicionais.
  7. NBR 17225 e TCUABNT publica norma de acessibilidade web e o TCU avalia órgãos federais no Acórdão 2.099/2025.

O controle também aumentou. No Acórdão 2.099/2025, o Plenário do TCU analisou a acessibilidade digital de órgãos federais e encontrou notas baixas na maioria deles; apenas 31% seguiam a WCAG. No mesmo ano, a ABNT publicou a NBR 17225, com 146 orientações para conteúdo e aplicações web, apresentada como referência técnica para a aplicação do art. 63 da LBI.

eMAG e WCAG: como se relacionam

As WCAG, Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web, são o padrão internacional do W3C. A versão 2.2 tornou-se recomendação oficial em 5 de outubro de 2023, com nove novos critérios, como foco visível não encoberto, tamanho mínimo de alvos de toque, ajuda consistente e autenticação acessível. Os critérios são organizados em três níveis de conformidade: A, AA e AAA.

O eMAG, Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico, é uma versão especializada da WCAG para o governo brasileiro. A versão vigente, 3.1, é de 2014 e tem 45 recomendações em seis seções: marcação, comportamento, conteúdo e informação, apresentação e design, multimídia e formulários. Diferentemente da WCAG, o eMAG não separa as recomendações por nível: todas as aplicáveis devem ser seguidas. Como foi construído sobre a WCAG 2.0, muitas equipes usam o eMAG como checklist de base e a WCAG 2.2 para incorporar os critérios mais recentes.

Os erros mais comuns

O relatório anual WebAIM Million testa automaticamente as páginas iniciais do 1 milhão de sites mais acessados do mundo. Os mesmos seis problemas lideram a lista ano após ano, e todos têm solução conhecida.

Infográfico: falhas mais frequentes nas páginas iniciais
Texto com baixo contraste83,9%
Imagem sem texto alternativo53,1%
Campo de formulário sem rótulo51%
Links vazios46,3%
Botões vazios30,6%
Idioma da página não declarado13,5%
Fonte: WebAIM Million, 2026 (percentual das páginas iniciais com cada falha)

Contraste baixo se resolve na paleta de cores. Texto alternativo é uma descrição curta da imagem, ou um atributo vazio quando ela é apenas decorativa. Campos de formulário precisam de rótulo associado. Links e botões precisam de nome compreensível, inclusive os que exibem só um ícone. E a página deve declarar o idioma, para que o leitor de tela pronuncie o texto corretamente.

Libras na prática

Para muitas pessoas surdas, a Libras é a primeira língua e o português escrito é a segunda. Por isso, legendas ajudam, mas não resolvem tudo. Três medidas se complementam:

  • Tradução automática: o VLibras, conjunto de ferramentas gratuitas e de código aberto mantido pelo governo federal em parceria com a Universidade Federal da Paraíba, traduz conteúdos em português para Libras por meio de um avatar e pode ser incorporado a sites.
  • Intérprete humano nos conteúdos estratégicos: vídeos institucionais, transmissões de sessões e orientações sobre serviços essenciais merecem janela com intérprete de Libras.
  • Legenda e audiodescrição: recursos que a LBI exige da radiodifusão (art. 67) e que são boa prática em qualquer vídeo publicado no portal.

Um roteiro para o seu portal

  1. Avalie: combine validação automática com testes manuais por teclado e leitor de tela, como recomenda o próprio eMAG, e inclua pessoas com deficiência nos testes.
  2. Corrija o modelo, não só a página: ajustes no tema e nos componentes do gerenciador de conteúdo se propagam por todo o site.
  3. Capacite quem publica: texto alternativo, títulos hierárquicos, links descritivos e documentos acessíveis dependem dos conteudistas.
  4. Cuide dos documentos: PDFs digitalizados como imagem são inacessíveis; prefira HTML ou arquivos com texto estruturado.
  5. Exija em contrato: inclua requisitos de acessibilidade e critérios de aceite em toda contratação de site, sistema ou aplicativo.
  6. Mantenha um canal: publique uma página de acessibilidade com os recursos disponíveis e um meio para o cidadão relatar barreiras.

Próximos passos

Comece pelas páginas mais visitadas e pelos serviços mais usados. Rode uma avaliação automática, navegue por elas apenas com o teclado e ouça o conteúdo com um leitor de tela gratuito. O resultado desse teste de uma tarde costuma bastar para montar o primeiro plano de correções.

A Midnal atua com sites, hospedagem e conteúdo para órgãos públicos e organizações privadas, e pode apoiar desde o diagnóstico de acessibilidade até a correção de temas, a capacitação de conteudistas e a manutenção contínua do portal.

Perguntas frequentes

Sites de prefeituras são obrigados a ser acessíveis?

Sim. O art. 63 da Lei 13.146/2015 obriga órgãos de governo, de qualquer esfera, a manter sites acessíveis conforme diretrizes internacionais, com símbolo de acessibilidade em destaque.

Devo seguir o eMAG ou a WCAG?

Os dois se complementam. O eMAG é de observância obrigatória nos sítios do SISP e foi baseado na WCAG 2.0; a WCAG 2.2 traz critérios mais recentes, e a ABNT NBR 17225:2025 consolida orientações atualizadas.

O VLibras substitui o intérprete de Libras?

Não deve ser tratado assim. A tradução automática amplia o alcance do conteúdo escrito, mas vídeos e informações estratégicas devem contar com intérprete humano, além de legendas.

Ferramentas automáticas garantem a acessibilidade?

Não. Elas detectam apenas parte das falhas. Testes manuais com teclado e leitor de tela, e testes com pessoas com deficiência, são indispensáveis.

Fontes consultadas

  1. Lei 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão), Planalto
  2. Decreto 5.296/2004, Planalto
  3. Lei 10.436/2002 (Libras), Planalto
  4. Lei 14.129/2021 (Governo Digital), Planalto
  5. eMAG, Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico, versão 3.1
  6. W3C, What's New in WCAG 2.2
  7. WebAIM, The WebAIM Million, 2026
  8. TCU, Serviços digitais do setor público apresentam limitações severas de acessibilidade, 2025
  9. IBGE, Censo 2022: pessoas com deficiência (via CNN Brasil), 2025
  10. Teletime, ABNT lança norma para aprimorar a acessibilidade de sites, 2025
  11. Governo Digital, VLibras
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